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	<title>Dudu Lessa, Autor em Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada</title>
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		<title>Do Cacto ao Milhão: a construção imagética de Juliette</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dudu Lessa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 20:48:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não, esse não é mais um texto falando sobre o &#8216;fenômeno Juliette nas redes sociais&#8217;. Tampouco venho aqui para falar sobre os assombrosos números da participante do BBB mais famosa dos últimos tempos. Já sabemos que seu alcance, em especial no Instagram, é equivalente ao de grandes celebridades mundiais, como Justin Bieber e Katy Perry. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não, esse não é mais um texto falando sobre o &#8216;fenômeno Juliette nas redes sociais&#8217;. Tampouco venho aqui para falar sobre os assombrosos números da participante do BBB mais famosa dos últimos tempos. Já sabemos que seu alcance, em especial no Instagram, é equivalente ao de grandes celebridades mundiais, como Justin Bieber e Katy Perry. Seu último recorde, inclusive, a equipara à cantora Billie Eilish ao atingir um milhão de curtidas em sua foto em apenas seis minutos. Esse furacão já é conhecido por todos nós.</p>



<p>Mas como esse fenômeno foi construído visualmente? Em especial, quais são os elementos semióticos que a definem como <em>persona </em>midiática? Como designer gráfico e nordestino, tenho pensado bastante sobre o significado dos elementos visuais que compõem a imagem de Juliette nas redes sociais. Os cactos, o chapéu de couro, o milho: elementos que identificam e caracterizam a participante. Qual o papel desses signos? O que eles adicionam à narrativa dela e, principalmente, o que eles dizem ao público?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A criação do cacto</strong></h2>



<p>A semiótica é o estudo do significado, da estrutura e do funcionamento da comunicação e o impacto dos signos nas percepções culturais e na comunicação humana. Complicou? Dá pra facilitar. Em bom português, é o estudo dos símbolos &#8211; sejam eles quais forem &#8211; na nossa comunicação. Desde uma palavra a uma placa. Um quadro e um ícone de &#8216;Banheiro Masculino&#8217;. Nesse caso daqui, um cacto. O cacto da Juliette.</p>



<p>A participante do BBB chegou à casa reforçando o seu orgulho por ser nordestina. Não é à toa que sua trilha sonora no programa é uma música do cantor Chico César com o forrozeiro Dominguinhos. Em todos os seus quadros (os VTs, para os viciados em BBB como eu), a edição do programa reafirma a sua origem e, principalmente, o seu orgulho (com razão). Juliette fala da região com exaltação e uma certa ufania, apresentando o Nordeste com um saudosismo que só quem é nordestino expatriado reconhece.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Espaço da Saudade</strong></h2>



<p>Esse saudosismo, porém, é um velho conhecido da nossa cultura. Em seu livro &#8216;A Invenção do Nordeste e outras artes&#8217;, o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior pontua que o conceito de &#8220;Nordeste&#8221; que conhecemos surgiu como um &#8220;espaço da saudade&#8221;. No início do século XX, diversos artistas, escritores, pintores e músicos representavam e apresentavam a região como um local de passado ufanista. &#8216;Não há, ó gente, ó não, luar como esse do sertão&#8217;, já cantou Luiz Gonzaga.</p>



<p><strong><em>Esses artistas, filhos e herdeiros dos oligarcas da região, reproduziram tal crise em suas obras e assim fortaleceram o imaginário da saudade, na valorização da tradição e do passado rural do Brasil.</em></strong></p>



<p>Essa narrativa de &#8216;espaço da saudade&#8217;, porém, não surgiu involuntariamente e tem como fator determinante a trajetória política e econômica do país à época. Com o declínio da oligarquia nordestina e a ascensão da burguesia industrial da região Sudeste, há o início de uma crise dos elementos culturais na produção artística brasileira. Surge assim um embate entre a tradição, aqui vista como o saudoso Nordeste rural, e a modernidade efervescente da região Sudeste. Esses artistas, filhos e herdeiros dos oligarcas da região, reproduziram tal crise em suas obras e assim fortaleceram o imaginário da saudade, na valorização da tradição e do passado rural do Brasil. Como afirma Durval Muniz em seu livro:</p>



<p><em>“contribuirão decisivamente as obras sociológicas e artísticas de filhos dessa ‘elite regional’ desterritorializada, no esforço de criar novos territórios existenciais e sociais, capazes de resgatar o passado de glória da região, o fausto da casa-grande, a ‘docilidade’ da senzala, a ‘paz e estabilidade’ do Império. O Nordeste é gestado e instituído na obra sociológica de Gilberto Freyre, nas obras de romancistas como José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz; na obra de pintores como Cícero Dias, Lula Cardoso Ayres etc. O Nordeste é gestado como espaço da saudade dos tempos de glória, saudades do engenho, da sinhá, do sinhô, da Nega Fulô, do sertão e do sertanejo puro e natural, força telúrica da região.” (Albuquerque Júnior, 1999:35)</em></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Bagagem Cultural</strong></h2>



<p>Voltamos ao cacto e ao chapéu de couro da participante. Com esses conceitos em mente, é preciso questionar: a utilização desses elementos na comunicação digital da Juliette é de emancipação ou de lugar comum? Usam-se esses elementos para reforçar estereótipos da região ou para fortalecer uma linguagem recorrente da mídia <em>mainstream</em>?</p>



<p>No livro &#8216;Políticas do design: um guia (não tão) global de comunicação visual&#8217;, o escritor Ruben Pater afirma que &#8220;<em>reconhecer que a comunicação não é neutra põe tudo em perspectiva e nos ajuda a entender por que a comunicação fracassa com tanta frequência: ela depende da bagagem cultural de cada um&#8221;. </em>A partir desse princípio, podemos embasar o uso destes elementos saturados na comunicação da participante: eles são de fácil reconhecimento e compreensão por parte de um público enorme com bagagens diversas. <em>&#8220;Figuras cujos detalhes são claros a todos estão livres das limitações da linguagem: são internacionais&#8221;, </em>afirma o filósofo austríaco Otto Neurath.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual Nordeste nós mostramos?</strong></h2>



<p>Quero reforçar que este não é um texto anti-Juliette. Sou nordestino, escrevo esse texto agora ao som de Zé Vaqueiro e torço para a participante ganhar o prêmio final do programa. Porém, como designer, acredito que precisamos forçar essa reflexão: esses ícones, como o cacto e o chapéu de couro, refletem a participante? Refletem o Nordeste de 2021? Eles condizem com a dicotomia que é Juliette? Elementos que ilustraram o Nordeste de 100 anos atrás, da estética da seca, precisam ser reforçados hoje em dia? E principalmente: se alterados, quais outros ícones seriam utilizados para apresentar esse novo Nordeste ao Brasil?</p>



<p><em>Se alterados, quais outros ícones seriam utilizados para apresentar esse novo Nordeste ao Brasil?</em></p>



<p>Há o Nordeste da Seca, mas também há o Nordeste do do &#8216;Vale do Silício&#8217; brasileiro em Recife. Há o Nordeste do Cacto, mas há o Nordeste da cultura pungente que transforma Salvador. Aqui cabe pensar: qual Nordeste está sendo apresentado na mídia? Porquê? Longe da ousadia de tirar conclusões, acredito que ambos existem e são válidos. O uso de seus elementos, por sua vez, deve ser consciente e sem a falsa pretensão de neutralidade e não-intencionalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Nordeste nunca houve</strong></h2>



<p>Belchior cantava que &#8220;O Nordeste é uma ficção, o Nordeste nunca houve&#8221;. Com essa música na cabeça, relembramos que imagens e símbolos também são figuras mutáveis, sob o escrutínio da história, da adaptação social e das mensagens que criam, inclusive por participantes do maior reality show do Brasil.</p>



<p>Leia também: <a href="https://antigo2021.conversacomunicacao.com.br/8-coisas-que-podemos-aprender-com-o-insta-da-juliette/">#BBB21: 8 coisas que podemos aprender com o Instagram de Juliette</a></p>



<p>Descubra: <a href="https://www.instagram.com/p/CMFVFbps3BD/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A carreira da Karol Conká tem salvação?</a></p>



<p><strong><em>Dudu Lessa é designer gráfico do Conversa Estratégias de Comunicação Integrada</em></strong></p>
<p>O post <a href="https://antigo2021.conversacomunicacao.com.br/redes-sociais/2021/04/28/do-cacto-ao-milhao-a-construcao-imagetica-de-juliette/">Do Cacto ao Milhão: a construção imagética de Juliette</a> apareceu primeiro em <a href="https://antigo2021.conversacomunicacao.com.br">Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada</a>.</p>
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